Rock in Riot: o grupo de cidadãos de Lisboa que está farto de rendas altas

Não dão nomes, idades ou quantos são: têm rendas incomportáveis e não conseguem comprar casa. Mas garantem ser “menos do que as pessoas que trabalham por um salário mínimo na Padaria Portuguesa”.

otícia de última hora: as casas no centro histórico de Lisboa já custam o dobro do que valiam há apenas cinco anos e já ultrapassam os quatro mil euros por metro quadrado. Nos últimos meses multiplicam-se notícias assim, sobre a especulação imobiliária na capital, os preços incomportáveis de rendas e de casas para venda, a necessidade que muitos lisboetas começam a ter de arrendar quartos, comprar lojas para usar como habitação, ou simplesmente sair.

Um grupo desses cidadãos decidiu unir-se e criar o movimento Rock In Riot. “Ocupar a Rua, Reclamar a Cidade” é mote do grupo e do seu primeiro evento de rua, marcado para este sábado, dia 24 de março, a partir das 14 horas e com concentração na Alameda. Mas se pelo nome e mote do grupo, pensa que o movimento tem uma vertente agressiva, o grupo não pretende ir por aí. Está revoltado contra a situação mas fala num encontro de festa, com DJ’s, música, carros alegóricos e tudo. Diz à NiT que seu próximo passo, “é um passo de samba, na cara da especulação”.

A tal festa de rua, a acontecer estilo marcha entre a Alameda e o Intendente, pretende mostrar a voz dos lisboetas que não concordam com as políticas e a gestão da cidade. Fazendo uso do espaço físico da rua, querem simbolizar a reapropriação de Lisboa, apelando à participação de todos com bicicletas, ou skates, patins, sistemas de som. Fazer barulho.

A NiT falou com os membros do Rock in Riot por email que se identificam como uma “assembleia de pessoas oriundas dos mais variados contextos sociais”. Quando perguntamos se têm alguma afiliação política, explicam que “o evento é organizado independentemente de qualquer partido ou associação — mas não pedimos para ver cartões à entrada”. O que os motiva é o óbvio: o preço da habitação disparou, dispararam os despejos, “encontrar casa para viver é difícil e nenhum inquilino se sente seguro”, dizem.

A habitação “deixou de ser o local onde vivemos para se tornar num investimento. Por isso há cada vez mais casas não habitadas, casas com janelas emparedadas e cada vez menos sítios para viver”.

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