#PortoDefendAfrin - Um relato da concentração de 15 de Março

Havia uma manifestação legalmente marcada para a Av. dos Aliados para aquele fim de tarde de 15 de Março. Oficialmente era pelo fim da guerra na Síria, mas parecia esconder uma agenda unicamente anti-Assad, preocupada apenas com uma parte das mortes que acontecem em território Sírio, ajudando dessa forma no branqueamento promovido pelos média da situação em Afrin, onde uma potência amiga (membro da NATO, receptora de milhões de euros de fundos da UE e um putativo futuro membro dessa mesma UE) invade território dum país vizinho para levar a cabo uma limpeza étnica sobre a população curda e destruir os sonhos revolucionários dessa mesma população.

Essa manifestação tinha agentes da polícia destacados e fez-lhes saber que não nos queria (a nós, que estávamos ali sobretudo para dar visibilidade a essa parte do conflito em território sírio que os média teimam em fingir que não existe) por perto. Os agentes, diligentes, fizeram-nos saber que, mal começássemos a fazer barulho ou a mostrar pancartas ou a distribuir panfletos seríamos identificados e veríamos o material apreendido. Decidimos sair dali e seguimos em marcha combativa e sonora para a estação de metro da Trindade.

Aí, mantendo o carácter barulhento e conseguindo uma distribuição de panfletos alargada, fomos ameaçados pelos seguranças da Metro do Porto (apesar de estarmos do lado de fora da estação) com a chamada de polícia, já que nos recusávamos a sair apenas pelas ordens dos seguranças. A situação foi sempre calma, a gente manteve-se por lá enquanto os gorilas da Metro conferenciavam e, passados uns tempos, decidimos voltar aos Aliados, seguir sempre em marcha, talvez até S. Bento, talvez para a Praça dos Leões, conforme a vontade nos levasse e a chuva nos permitisse.

Ao chegar aos Aliados, ali ao lado da Câmara e à porta dos Correios, os mesmos polícias da manifestação legal que, afinal, ainda decorria, apressaram-se a atravessar a rua, ameaçaram detenções, apreenderam bombos e pancartas, quiseram identificar meia dúzia de pessoas. A razão seria manifestação ilegal, um crime, na voz do responsável pela operação. «Isto não é fascismo! Mas há regras. E só podem fazer manifestações se avisarem as autoridades e marchas só a partir das 19h30».

Éramos cerca de 3 dezenas, se tanto. Numa manifestação ainda assim combativa. Que a polícia tentou e conseguiu limitar. Mas que aconteceu. E teceu novas cumplicidades que deverão dar resultados já a 24 de Março, na próxima acção de solidariedade com Afrin.

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