Não podemos ficar em silêncio

O TEUC - Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra - vem manifestar a sua surpresa, choque e indignação face aos resultados provisórios divulgados pelo Ministério da Cultura relativamente ao apoio da DGArtes, que revelam que estruturas artísticas fundamentais para a Cultura do país sofrerão cortes expressivos em relação ao apoio anterior ou não receberão nenhum apoio. Entre as inúmeras candidaturas elegíveis que não foram apoiadas encontram-se as da A Escola da Noite e do Teatrão, dois dos grandes pólos culturais em Coimbra e com os quais somos solidárias/os neste momento tão difícil. Numa cidade universitária como a de Coimbra é inadmissível que se arrase completamente com duas das estruturas com maior oferta cultural.

Estas alarmantes notícias apenas revelam o agravamento do subfinanciamento do setor artístico que já tem vindo, ao longo dos anos, a ser traduzido em sucessivos cortes e deslocação de verbas outrora destinadas à Cultura. Com estes resultados, ficam ainda mais comprometidas as condições estruturantes para a estabilidade, consolidação e renovação da atividade artística em Portugal.

Por sentirmos que somos, também, um dos muitos grupos lesados com sucessivos cortes, não podemos deixar de demonstrar o nosso desagrado perante tais resultados. Há muito que somos obrigadas/os, tal como muitos outros Teatros Universitários do país, a sobreviver à custa de financiamento privado, que nos tem vindo a ser progressivamente negado, tendo culminado, entre o ano de 2016 e 2017, no drástico corte da nossa maior fonte orçamental: o apoio anual da Fundação Calouste Gulbenkian. Sendo este o primeiro ano de atividade sem qualquer tipo de base sólida de apoio, a continuidade deste organismo, com 80 anos de existência, encontra-se ainda mais comprometida. Para o TEUC, é um desafio diário manter as suas actividades com a mesma qualidade e periodicidade como o que vinha sendo feito ao longo de todo este período de vida.

Opomo-nos à desvalorização da Cultura e às políticas neo-liberais do Estado que tem vindo, cada vez mais, a atentar contra os direitos sociais, económicos e - consequentemente e não menos importante - contra os direitos culturais, tão fundamentais para a formação cívica e democrática dos cidadãos e cidadãs deste país. Atentar contra a Cultura é retroceder social e politicamente. É negar o acesso à educação e ao conhecimento. É regressar ao obscurantismo!

Gostaríamos, assim, de apelar à união do setor para que JUNTAS/OS consigamos travar esta e tantas outras lutas que se avizinham.

UM MUNDO SEM ARTE É UM MUNDO SEM LIBERDADE!

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