Tempos perigosos aproximam-se (em 10 pontos)

1 - Não se sabe como e quem terá atentado contra o ex-espião Skripal. Percebe-se que a May queira entreter o povo face às dificuldades que surgirão do Brexit mas não se entende o interesse da Rússia em criar um caso Skripal e que elementos podem comprovar a sua intervenção;

2 - Na Síria, onde os rebeldes jihadistas estão derrotados, que benefício teria Assad em usar armas químicas atraindo assim, contra si, a animosidade do Trump e seus acólitos? E os russos que o apoiam que ganham com isso e porque teriam permitido a Assad, seu protegido, usar as tais armas?

3 – E, antes de prosseguir, recordo que em 2003, um grupo de imbecis se reuniu nas Lajes e avançou para uma guerra que desmantelou o Iraque, tendo como argumento umas armas de destruição massiva que Saddam teria; o que se confirmou ser falso. Hitler também envergou fardas polacas a uns pobres diabos, para justificar o início da II Guerra;

4 – O pré-rei saudita, o MbS está atolado no Yemen, há anos mas isso não incomoda os ocidentais. Afinal, os hutis, são zaiditas, um género de xiismo e; isso causa grave urticária aos EUA porque logo lhes ocorre a humilhação que os iranianos lhes causaram em 1979;

O referido pré-rei bloqueou o Qatar, com o apoio de alguns sheiks da região e isso afinal aproximou o Qatar do seu inimigo iraniano que, aliás, é parceiro do Qatar na exploração de um enorme jazigo de gás no Golfo. Esse bloqueio também irritou a Turquia que dispôs tropas no Qatar… ao lado de uma base americana… Entretanto, o pré-rei simpaticamente vai comprar armamento escolhido no catálogo apresentado por Trump;

5 - No Iraque, o governo emana da maioria xiita, o ISIS foi derrotado, a questão curda está adiada e há boas relações com o Irão, esquecida a guerra de 1980/88 encomendada pelos ressabiados EUA ao então amigo, Saddam;

6 – No Afeganistão, 40% do território é controlado pelos talibans que frequentemente procedem a sangrentos atentados em Cabul e, mesmo no santuário onde está o governo e a embaixada dos EUA. O brilhante Trump experimentou ali a “mãe de todas as bombas”, não se sabe para quê e, entretanto, mandou para o país mais um milhares de soldados;

7 - A evidente vitória estratégica da aliança Rússia-Irão-Turquia no Médio Oriente resulta em parte do modo imperial e desastrado como os EUA e seus satélites ingleses e franceses têm atuado nos últimos anos na região, acabando por não controlar o Iraque, atolados no Afeganistão, com a Síria e Assad a ganhar a guerra civil. Resta-lhes a amizade dos sauditas e da entidade genocida israelita;

8 – A ideia de estabelecer um corredor energético do Golfo até ao Mediterrâneo consolida aquela aliança estratégica, eleva o papel da Turquia e do Irão na região e é sentido como uma ameaça para o quartel ocidental instalado em território palestiniano, tal como para a Arábia Saudita;

9 – A Turquia cada vez mais afastada da UE, entendeu que tem mais a ganhar se se incluir num bloco euro-asiático liderado pela China e pela Rússia, em crescimento económico e onde está mais de metade da população do planeta. E assim, ao comprar aviões de guerra à Rússia, incompatíveis com os sistemas made in USA, vai continuar na NATO? E que futuro para a base dos EUA– com armas nucleares - em Incirlik?

10 – A Síria é, portanto, um ponto onde os EUA e os acólitos europeus pretendem sabotar o projeto euro-asiático conhecido como Rota da Seda, constituído por infraestruturas de transporte ferroviário, rodoviário e marítimo que deixam isolado apenas o continente americano.

A Europa tem duas opções. Uma, é encaixar-se nesse projeto como um parceiro maior; a outra, cinge-se à situação de península asiática, decadente e sob protetorado dos EUA. A Alemanha entende isso muito bem e estabelece relações e oleodutos, vindos da Rússia ou da Ásia, via Turquia enquanto, as antigas potências coloniais – Grã-Bretanha e França – continuam a olhar para o Atlântico, numa lógica de Guerra Fria.

GT

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