A revolução anda aí | o Gringo sou EU + SLEAFORD MODS

por Joana Paiva
em http://www.sidestagecollective.com

Ontem o Hard Club encheu-se para receber a revolução! O anti-sistema e a luta do dia-a-dia de quem não tem nada, ou não tem o que merece foi contestado, sob a forma de música – a a narrativa anti-capitalista foi representada num público que estava pronto para a apoiar com se depois do concerto fossemos todos para a rua manifestar a nossa opinião. E é tão bonito quando a música provoca nas pessoas sentimentos destes. REVOLTA, DESCONTENTAMENTO, e aquela vontade de MUDANÇA.

Não, nenhum movimento anti-sistema foi criado ontem à noite, mas tenho a certeza que não foram poucos os que quiseram que a sua voz fosse finalmente ouvida. Deitaram todas as suas frustrações cá para fora ao repetir as letras de o GRINGO SOU EU e SLEAFORD MODS.

A noite começou com um aquecimento pelo músico brasileiro, o Gringo sou eu, crítico do sistema social e político em que vivemos – foi sublinhada a situação que se passa com a prisão de Lula da Silva e todo o conflito à volta da “eleição” de Temer e como toda esta selva tem ocultado o que de verdade se está a passar com o povo brasileiro – toda a desgraça, todas as vidas perdidas. A música de intervenção está viva e nós ao ouví-la, potenciamos este tipo de vozes, que apesar de poucas, fazer agitar as marés. Por aqui as metáforas são poucas e vai-se ao cerne da questão. A música que nos põe a dançar e a pensar ao mesmo tempo – foi um concerto divertido que até teve direito a um grupo de raparigas percussionistas na frente do palco a rebentarem com a casa toda. Se puderem, oiçam a música deste rapaz. Apesar de “Cada vez pior” ser o nome do EP, a música está longe disso.

A sala já estava cheia e os dois constituintes de Sleaford Mods entraram na sala do Porto para aquele que havia de ser um dos concertos mais memoráveis que terão dado nos últimos tempo. Falar de austeridade nunca é algo divertido, sobretudo se vier da boca de um político, no entanto das frases encadeadas e irónicas de Jason Williamson fazem com que tudo seja um estilo de caricatura – agressiva, pura e criativa. Enquanto Jason manipulou o palco com os seus movimentos de dança característicos, o hype-man e músico Andrew Fearn mostrou que estar no placo não é só físico, é um estado de alma. O estado social, sobretudo da classe trabalhadora sempre foi o tema mais explorado por este projecto musical. Músicas como “Jolly Fucker” e “TCR” puseram o público ao rubor numa noite de Abril em que se sentiam os ares de mudança. Foi um concerto divertido mas sério e Jason não se poupou em elogios ao público do Porto – desinibido e quente. Mas depois chegou a hora de ir dormir, mas o bichinho da reivindicação lá ficou, dentro de vários cérebros e certamente terá gerado bastante burburinho nas conversas após concerto.

Como sempre, ver Sleaford Mods foi diferente. Foi explosivo, excitante, puro e cru. Como só eles são.

E como é preciso mudar, e todos nós temos uma voz, temos de nos unir. Porque senão, isto só vai ficar “cada vez pior”.

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