Ontem na acção Stop Despejos na Sede da Fidelidade (Chiado)

COMUNICADO STOP DESPEJOS ontem no Chiado, sede Fidelidade:

Somos a Plataforma STOP Despejos e estamos aqui para denunciar a seguradora Fidelidade que prioriza o negócio imobiliário especulativo e promove o despejo de famílias. A Fidelidade prefere o lucro à vida das pessoas. Diz-se seguradora, mas provoca insegurança.

A empresa anunciou a venda em pacote de 276 prédios, onde existem pelo menos 1299 contratos de arrendamento. Para valorizar o pacote em venda, a Fidelidade iniciou um processo de não renovação de contratos, deixando as pessoas numa situação de iminência de despejo e falta de alternativas. A seguradora também anunciou que iria atualizar o valor das rendas, o que significa aumentar rendas que já eram elevadas. O que a Fidelidade pretende fazer é vender o pacote de casas, por atacado, a um grande fundo de investimento imobiliário internacional. Estes fundos regem-se pela especulação e pela acumulação. As famílias, algumas há décadas inquilinas desta empresa que não soube sequer manter as casas em boas condições, vêem-se agora em vias de serem ou despejadas, ou vendidas no pacote onde passarão a ser inquilinas de um fundo especulativo sem rosto.

O caso de Santo António dos Cavaleiros, onde 150 pessoas estiveram ameaçadas de despejo e onde a Fidelidade recuou momentaneamente para evitar protestos e má imagem, não foi o único, nem será o último.

O objectivo da Plataforma STOP Despejos é lutar contra os despejos, que se tornaram a normalidade numa cidade onde as rendas estão a subir para níveis muito acima do que podem pagar a maioria das pessoas. Quando a lei não garante um direito básico como é a habitação digna, é legítima e necessária a desobediência civil - único caminho que pode mudar uma situação tolerada, fomentada e, sobretudo, muito lucrativa para proprietários, empresas imobiliárias e interesses ligados aos poderes central e local. Este governo, e os partidos que o apoiam, já tiveram tempo para revogar a lei Cristas ou, no mínimo, tê-la alterado substancialmente na defesa dos moradores.

Também temos como objectivo mostrar quem são os responsáveis pela conversão das nossas casas numa simples mercadoria e pela degradação e apropriação do espaço público. Porque os despejos, são a parte visível de um iceberg que tem por baixo políticas, instituições e empresas bem concretas, como a especulação urbanística da Fidelidade, e é preciso mudar se não queremos que a cidade deixe de ser um lugar onde vivem pessoas e se torne, principalmente, num cenário para alguns fazerem dinheiro à custa da precariedade habitacional, do turismo e da gentrificação.
Este fenómeno não é uma particularidade de Lisboa. Já várias cidades do mundo passaram pelo mesmo e quem pagou o preço da especulação foi toda a população. A mobilização popular é fundamental para garantir, a todas e a todos, o direito à habitação digna e o direito à cidade.

Mesmo àqueles que não estão a ser diretamente atingidos agora. É necessário travar AGORA este processo para que as cidades não sejam retiradas integralmente à população local e moradores.

Fotos

Stop Despejos

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