Palestina. Episódio 2 - Belém, do milagre da vida à banalidade da morte

Este é o segundo episódio da série “Palestina, histórias de um país ocupado”. Se ainda não ouviste o primeiro, “Ramallah, a cidade artificial”, ouve aqui, porque vais perceber melhor algumas das histórias que contamos hoje.

[Abaixo podes ler a transcrição de toda a audiorreportagem, incluindo a tradução, para Português, de todas as declarações, citações e diálogos tidos em inglês.]

“O meu nome é Aboud Shadi, um refugiado palestiniano de 13 anos. Estava aqui mesmo, parado com os meus amigos, quando um sniper israelita me matou com um tiro. A minha alma vai ficar aqui, a perseguir o assassino e a motivar os meus colegas de turma. Questiono-me se a comunidade internacional trará justiça para as crianças palestinianas.”

Esta é a mensagem que se lê num cartaz à entrada do Aida Camp, um campo de refugiados em Belém, na Cisjordânia, Palestina. Abaixo, vê-se uma enorme fotografia de Aboud Shadi. Rapaz moreno, cara de miúdo, com o cabelo rapado de lado, e uns olhos castanhos, enormes. Na fotografia, sorri. Anas Abu Srour, um dos coordenadores do Aida Youth Center, uma organização que apoia jovens no Aida Camp, explica-nos o que aconteceu:

Anas - Ele saiu da escola e eles mataram-no quando estava parado, como eu estou agora.
Maria - De braços cruzados.
Anas - Sim, e o sniper estava onde os soldados estão. Ele não estava a fazer nada. Ele estava só parado e o sniper disparou contra o peito dele e ele morreu imediatamente. Tinha 10 anos e não fez nada.

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É Apenas Fumaça

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