"Preta de merda, queres apanhar um autocarro, apanhas no teu país"

A Nicol tem ascendência colombiana mas vive e sempre viveu no Porto, com os pais, que se mudaram para cá há 18 anos.

Saíu no fim-de-semana para festejar o São João, como 99% das pessoas que vivem no Porto fazem habitualmente.

Quando a Nicol decidiu regressar a casa, um fiscal da STCP - Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, SA achou que não a devia deixar entrar no autocarro e é então que começa a insultá-la por ela ser colombiana. Entre agressões físicas foram ditas coisas como “Não entras neste autocarro, preta de merda.”, “Volta para a tua terra!”, e por aí fora.

Como se isto não fosse grave o suficiente, sem lhe pedir sequer o cartão andante que estava devidamente carregado para poder circular, o fiscal empurra a Nicol para fora do autocarro, atira-a para o chão, e dá-lhe pontapés na cara enquanto continua com as agressões verbais e com insultos motivados pelo racismo e pela ignorância, e muito provavelmente pela enorme frustração que a vida dele lhe deve causar.

E porque é que vos estou a contar esta história, perguntam vocês! Porque não houve uma ÚNICA notícia nos nossos meios de comunicação a denunciar isto.

É inadmissível que este anormal não esteja já atrás das grades. É inadmissível que um serviço público admita pessoas destas para trabalhar. É inadmissível que nenhum meio de comunicação fale disto mesmo depois das inúmeras publicações a denunciar a situação nas redes sociais. A notícia já chegou à Colômbia, tendo sido publicada em 3/4 jornais, enquanto os nossos meios de comunicação nos servem as mesmas notícias continuamente, ora sobre a política económica e orçamental, ora sobre os escândalos de corrupção e os currículos de titulares de cargos públicos... Mas o que realmente importa é para varrer para debaixo do tapete enquanto gritamos ao mundo que somos um país desenvolvido.

Pois é meus amigos.... Mas um país desenvolvido é um país que promove a mobilidade e o progresso social de comunidades vulneráveis e que entende que só tem a beneficiar com a verdadeira multiculturalidade. Mas claramente Portugal não é um país desenvolvido. Vamos lá parar de cobrir a realidade com o véu das tolerâncias, porque temos aqui uma prova viva e dura de que este ainda não é o país das maravilhas.
As melhoras à Nicol, e ao anormal que a agrediu, desejo que o karma o arruíne e que passe o resto da vida a pagar pelo que fez.

Notícia no DN

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