[Estado Espanhol] Desalojo do centro social transfeminista “La Pluma”

INTERNACIONAL | A noite ainda perdurava quando funcionários da empresa “Desokupa”, contratados pelos proprietários do edifício, avançaram contra o centro social transfeminista “La Pluma”, em Madrid, Espanha, para despejar todas as ativistas.

Localizado no bairro madrileno de Chueca, o centro social nasceu para ser um “ponto de convergência para contra-atacar o Orgulho [LGBT] oficial com um discurso anticapitalista, antirracista e transfeminista”, reafirmando o “direito sexual à dissidência” contra a heteronormatividade.

O edifício tinha sido ocupado no passado fim-de-semana por um conjunto de ativistas em protesto contra a “mercantilização do Orgulho LGBTI”. As ativistas do centro social recusam-se a usar a bandeira da comunidade LGBTI por considerarem que esta tem sido usada para legitimar processos de gentrificação contra a classe trabalhadora para se criar uma cidade virada para o negócio do turismo, bem como para lavar a imagem de empresas, entre as quais multinacionais financeiras, que exploram os seus trabalhadores até à exaustão.

Nos últimos anos tem-se assistido à crescente mercantilização das Marchas do Orgulho LGBTI por todo o mundo, ao mesmo tempo que as empresas as utilizam para lavar as suas imagens públicas numa estratégia conhecida por "pinkwashing". Dão a entender que são favoráveis aos anseios da comunidade LGBTI, mas depois praticam políticas que vão contra os direitos dessa mesma comunidade em todas as restantes áreas, como a laboral. Por exemplo, na Marcha de Lisboa, em 2017, as chefias do BNP Paribas organizou alguns trabalhadores para participarem na marcha com uma faixa.

Entre as inúmeras tentativas de pinkwashing, destaca-se a de Israel. Para criar a percepção de ser um Estado livre, liberal e aberto, Israel tem utilizado a Marcha para esse fim, tentando esconder a política colonial e racista contra o povo palestiniano. Enquanto a Marcha decorre nas ruas de Telavive, os soldados israelitas massacram, a poucos quilómetros de distância, os palestinianos.

Nos primeiros momentos, as ativistas do centro social de Chueca emitiram pedidos de apoio nas redes sociais, mas depois optaram por assumir uma posição de cautela para poderem analisar a situação e ponderar o que fazer de seguida, garantindo que não irão ficar de baixos cruzados. O centro foi um sinal de esperança. Resta agora saber como se manterá.

#infoActivista #pinkwashing

via:
Praxis Magazine (facebook)
Praxis Magazine

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