Cancelamento da reportagem na Palestina

Na sequência da deportação de Ariel Gold e das declarações de Gilad Erdan, antigo líder da juventude do Likud e actual ministro da segurança pública e dos assuntos estratégicos, ficou claro que Israel assumiu como orientação estratégica algo que até aqui era discricionário, e que se prende com a proibição de entrada de todos os que não subscrevam a política de Israel e se coloquem ao lado dos direitos humanos dos palestinianos.

Como anunciámos no início do ano temos estado empenhados em voltar à Palestina mas não o podemos fazer sem um mínimo de condições e, conforme se conclui, não o poderemos fazer a partir de uma entrada controlada pelo exército de Israel, cujo resultado será apenas a exposição da segurança dos jornalistas sem qualquer ganho para o relato do quotidiano dos palestinianos, o único motivo da nossa reportagem.

Denunciamos também o facto do Embaixador de Israel em Portugal, Raphael Gamzou, ter acusado o Jornalismo de Causas de anti-semitismo, numa reunião bilateral com uma ONG cuja identidade optámos por salvaguardar, mas cuja caracterização não podemos deixar de assinalar, contestar e de repudiar.

Com todos estes condicionalismos é com grande tristeza e indignação que anunciamos que o projecto deste ano ficará sem efeito e que, no futuro, voltaremos a tentar regressar à Palestina.

Até que seja possível novo projecto, continuaremos diariamente a denunciar os crimes da ocupação israelita da Palestina, com os olhos postos num futuro onde judeus e árabes possam viver num estado que lhes reconheça direitos iguais e que permita, tal como consagrado no 19º artigo da Carta Universal dos Direitos Humanos, “todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.”

Aos nossos leitores e ao povo palestiniano as nossas mais sinceras desculpas. Agradecemos o apoio prestado pelos palestinianos bem como aos israelitas que, não se revendo na política de Israel, se voluntarizaram para nos ajudar e receber. Recuamos desta vez, mas continuaremos a tentar num futuro próximo.

Jornalismo de Causas

English Translation | Tradução em Inglês

Following the deportation of Ariel Gold and statements by Gilad Erdan, a former Likud youth leader and current Minister of Public Security and Strategic Affairs, it became clear that Israel took as its strategic orientation something that until now was discretionary, with the ban on entry for all those who do not subscribe to Israeli policy and stand by the human rights of the Palestinians.

As we announced at the beginning of the year we have been committed to returning to Palestine but we can not go without a minimum of conditions and, as we can see, we can not go from an entry controlled by the Israeli army, risking the security of journalists without any gain for the report of the daily life of the Palestinians, the only reason for our report.

We also denounce the fact that Israel’s ambassador to Portugal, Raphael Gamzou, accused “Jornalismo de Causas” of anti-Semitism in a bilateral meeting with an NGO whose identity we have chosen to safeguard, but whose characterization we can not fail to point out, to contest and to repudiate.

With all these constraints it is with great sadness and indignation that we announce that this year’s project will be without effect and that in the future we will try to return to Palestine.

Until a new project is possible, we will continue daily to denounce the crimes of the Israeli occupation of Palestine, with our eyes set on a future where Jews and Arabs can live in a state that recognizes them equal rights and that allows, as enshrined in the 19th article of the Universal Declaration of Human Rights: “Everyone has the right to freedom of opinion
and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers”.

To our readers and to the Palestinian people our sincerest apologies. We appreciate the support given by the Palestinians as well as the Israelis who, not reviewing themselves in Israeli politics, volunteered to help us and receive us. We are retiring this time, but we will continue to try it in the near future.

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