Esclarecimento sobre a Organização da 13ª Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto

Realizou-se no passado dia 7 de Julho de 2018 a 13º Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto. De acordo com informações das autoridades no local, esta iniciativa reuniu cerca de 3000 pessoas.

Em conformidade com o regulamento interno da organização da Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto, integram a mesma representantes de associações, coletivos sem fins lucrativos pelos Direitos LGBT+ e outras causas aliadas, associações de estudantes do Ensino Superior do Porto e outras organizações políticas, a saber:

AMPLOS – Associação Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género

Associação de estudantes da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (UP)

Associação de estudantes da Faculdade de Belas Artes da UP

Associação de estudantes da Faculdade de Letras da UP

Associação de estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da UP

CaDiv- Caminhar na Diversidade

ContraBando – fatia criativa associação cultural sem fins lucrativos

Panteras Rosa – Frente de Combate LesBiGay Transfobia

PortugalGay

Rede ex aequo - associação de jovens lgbti e apoiantes

Somos Blergh

Bloco de Esquerda

Juventude Socialista

LIVRE

PAN Pessoas–Animais–Natureza

A organização da Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto é também parceira da Marcha do Orgulho LGBT+ de Braga, Marcha pelos Direitos LGBT de Vila Real e Marcha LGBT+ de Bragança, pelo trabalho de cooperação desenvolvido entre as diferentes organizações nos últimos anos.

A organização da Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto, durante o ano 2017/2018, reuniu as/os seus representantes semanalmente e em assembleia, com o objetivo de preparar e coordenar as iniciativas de divulgação dos propósitos da 13º Marcha do Orgulho LGBT+. Durante o ano 2018, a organização realizou mais de vinte iniciativas em diferentes zonas da cidade, envolvendo diferentes parceiros/as associativos/as ligados/as ao ativismo LGBT+, reunindo mais de três centenas de pessoas nas atividades.

Por último, esclarecendo eventuais questões, as/os representantes desta organização não são remunerados pela atividade que desenvolvem e, segundo o regulamento, não podem receber patrocínios comerciais ou com outros fins de divulgação comercial no âmbito das funções que exercem na organização da Marcha.

A Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto é um compromisso com a cidade do Porto e com as pessoas LGBT+ que todos os dias ainda sofrem de discriminação, opressão e exploração. A organização entende ainda que os direitos das pessoas LGBT+ só podem ser entendidos à luz dos diferentes contextos de discriminação e opressão. Desse modo, faz um esforço interno e externo para alargar o debate, considerando que a precariedade, a condição de imigrante, a racialização, o género, a dificuldade do acesso à habitação numa cidade sujeita à especulação imobiliária pela pressão da indústria do turismo, são condições que agravam o exercício de direitos e de cidadania e intensificam a exclusão social, cultural, económica e identitária das pessoas LGBTIA+.

No que diz respeito ao breve episódio com o autocarro turístico que se fez representar na Praça da República perto da hora de início da manifestação, e que suscitou algumas interpretações imprecisas e apressadas por parte de órgãos de comunicação social, informamos que a organização da Marcha teve previamente conhecimento da sua possível presença. De facto, a Variações – Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal enviou, na semana que antecedeu a 13º Marcha, um email a informar a organização da Marcha que se faria representar através de um autocarro com as características acima descritas. Por unanimidade, as/os representantes das associações, coletivos e organizações políticas que compõem a organização e promoção da 13º Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto, votaram a impossibilidade de circulação desse veículo pelas razões que passamos a citar:

1º) A organização já tinha definido previamente os veículos de som que iriam circular na Marcha, veículos esses sem propaganda comercial e cedidos por ativistas;

2º) A organização da Marcha, respeitando os seus princípios e a história do movimento LGBT+ em Portugal, entende que as associações devem-se fazer representar em pé de igualdade e não mediante o poder financeiro para exibir as suas bandeiras.

A informação sobre a impossibilidade de circulação do autocarro turístico na 13ª Marcha FOI COMUNICADA em tempo útil à Variações e seu representante, contudo, a organização teve o cuidado de endossar e reforçar o convite à participação da Variações e demais parceiros/as na Marcha, sugerindo que utilizassem os materiais usados pela maioria das pessoas presentes na Marcha (faixas, pancartas, cartazes, palavras de ordem). No entanto, a associação Variações e o seu representante não consideraram o processo de decisão coletivo da Marcha, e quiseram assegurar a presença do autocarro turístico.

Acresce ainda um episódio mais GRAVOSO a toda esta situação. A organização da Marcha constatou que a associação comercial Variações e suas parcerias, antes de enviarem o primeiro email a informar a presença do autocarro à organização da Marcha, já tinham contactado a PSP e a Câmara Municipal do Porto no sentido de comunicarem a presença do autocarro. Assim, sobrepuseram-se a todo e qualquer processo coletivo dos/as responsáveis pela dinamização da Marcha do Orgulho e NÃO INFORMARAM a organização sobre a comunicação prévia à CMP e PSP. Aliás, este ato de desrespeito, traiçoeiro e fraudulento para com a organização de uma iniciativa que conta com treze anos de luta, ativismo e dedicação à representatividade dos Direitos e Pessoas LGBT+, tentou pôr em causa a própria relação desta com as entidades competentes (PSP e Câmara Municipal do Porto).

Por último, queremos lamentar o sucedido e esclarecer politicamente o que significa a Marcha do Orgulho LGB+ do Porto para a cidade, para os/as ativistas que a constroem, para as pessoas que nela participam e para a importância da sua memória histórica. A Marcha do Orgulho do Porto nasceu em 2006 após o assassinato de Gisberta Salse Junior, e todos o anos, este episódio de raiva e luta, leva cada vez mais pessoas à rua. Começamos com cerca de 200 pessoas, e este ano 3000 PESSOAS participaram na 13º Marcha do Orgulho. É um caminho que tem sido traçado por ativistas, por todas e por todos.O facto de sermos cada vez mais pessoas, é a prova de que a luta e a participação se fazem através da transparência, honestidade e salvaguardando a presença de todas e todos. Queremos que todas e todos se sintam representadas/os e que a Marcha seja anualmente um espaço de igualdade.

Autocarros não se podem sobrepor a quem marcha e sobretudo, a Marcha é uma Manifestação de vozes de resistência, celebração e orgulho.

A Comissão Organizadora da
13ª Marcha do Orgulho LGBT+ no Porto
Porto, 10 de Julho de 2018

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