Comunicado - Acção de bloqueio na MOP 2018

Capitalismo, andor… Não passarão!
Orgulho LGBTI+ combativo!

A Marcha do Orgulho LGBT no Porto (MOP) é uma acção de visibilidade política e reivindicativa que continua a ser necessária numa sociedade cisheteropatriarcal. A Variações - “um grupo empresarial”, que actua “sob a forma de Associação de Comércio e Turismo” [1] – tentou participar na marcha com um autocarro repleto de publicidade, depois de um processo fraudulento já denunciado pela organização da MOP [2]. Face a isto, foi constituído um grupo de bloqueio, de participação aberta, identificado por uma faixa (Capitalismo, andor! Não passarão! Orgulho LGBT+ Combativo!), que procurou mobilizar as pessoas no início da marcha através da distribuição de um panfleto [3].

O bloqueio foi organizado com os seguintes objectivos: impedir a participação na MOP de um grupo empresarial, sem qualquer cunho activista; reivindicar a articulação histórica entre a resistência queer e o anti-capitalismo; combater a apropriação neoliberal de causas políticas; e recusar a conivência com um sistema que nos oprime (homonorma capitalista).

Mediante a manipulação dos factos e a veiculação de informações falsas pela Dezanove e outros pasquins congéneres, passamos a descrever o processo de bloqueio:

Num primeiro momento, que teve lugar na Praça da República (início da marcha), o grupo de bloqueio colocou-se em frente ao autocarro da Variações, segurando a faixa e entoando palavras de ordem, em uníssono, tais como “Anti-capitalista”, “Fora, capitalismo!”, “As pessoas são bem-vindas, o capitalismo não!”, “Palestina Livre!” (na sequência da passagem da canção “Toy”, da israelita sionista Netta, no autocarro).

Mais tarde, a organização da MOP utilizou o seu equipamento, que se encontrava junto ao bloqueio, para informar as pessoas de que a marcha teria início, apelar à participação e comunicar que o bloqueio permaneceria. Quando o final da marcha já se encontrava distante, no viaduto Gonçalo Cristóvão, o grupo de bloqueio avançou e juntou-se à marcha enquanto o autocarro da Variações foi desviado para a Rua de Camões, passando pela Avenida dos Aliados, em direcção à Praça D. João I (local de encerramento da marcha). Ou seja, o autocarro não acompanhou a MOP.

Enquanto a MOP se encontrava na Rua de Santa Catarina, o grupo de bloqueio dirigiu-se entretanto para a Praça D. João I, antecipando a possibilidade do autocarro da Variações forçar a sua presença no final da marcha. O bloqueio foi novamente montado na Rua de Sá da Bandeira, impedindo que o autocarro virasse para a Praça D. João I.

Depois de vários episódios de confronto, o autocarro foi obrigado a seguir para a Avenida dos Aliados, abandonando definitivamente a Praça D. João I [4].

Passado algum tempo, a marcha deu entrada na Rua de Passos Manuel em direcção à Praça D. João I, tendo sido recebida entusiasticamente pelo grupo de bloqueio, que entoava palavras de ordem como “O Orgulho não se vende, o Porto não se rende!”.
Deste modo, o autocarro da Variações NUNCA participou na Marcha do Orgulho LGBT no Porto.

Variações e toda a sua rede representam, para nós, a perpetuação de um sistema que nos silencia, violenta, explora, oprime e mata. Tentam infiltrar-se e usurpar aquelas que são acções assumidamente reivindicativas e transformá-las em desfiles publicitários; converter-nos em nichos de mercado para o consumismo (gaypitalista), sempre com a finalidade de promover a sua imagem e maximizar o lucro. Sem esquecer da sua actividade turística que colabora na gentrificação das nossas comunidades, bairros e espaços lúdico-festivos.

Recusamo-nos a fazer parte de uma “comunidade LGBTI” que ignora a intersecção entre os diferentes eixos de opressão, designadamente o efeito do capitalismo (rosa) sobre as nossas vidas. Não aceitamos o rótulo de “consumidores LGBTI”! Não somos um negócio! Não somos uma fonte de receita! O nosso “potencial de crescimento” não está numa economia predatorial; está na revolta contra o sistema cisheteropatriarcal capitalista.

NÃO PASSARAM NEM PASSARÃO… FORA!

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