ANARCHAPORTUGAL e o caminho para a vitória

ANARCHAPORTUGAL e o caminho para a vitória

Communicado da
Alta Autoridade para as Boas Práticas Anarquistas - Portugal Continental
(AABPA-PC)

Haverá um congresso anarquista a dezanove e vinte de Julho do presente ano da graça de dois mil e dezoito, no Porto, uma cidade no Norte do que é actualmente, mas não eternamente, o Estado Português. Os membros da AABPA-PC, após sabê-lo, não poderiam deixar de se reunir em assembleia geral e chegar a uma conclusão sobre a nossa posição em relação a este evento. Apesar de, como organização sediada em vários locais desconhecidos, incluindo no Porto, estarmos por um lado algo estupefactos quanto a não termos sido convidados para o colóquio de livre-pensadores, por outro lado compreendemos o que inferimos ser cautela da parte da organização, dado o secretismo das nossas operações, necessário como é para nos evadirmos da vigilância do estado social-comunista.

Aguardamos com expectativa o evento e já adquirimos entre nós vários team tickets, pela módica quantia de €1099, através de um esquema de contabilidade que nos permite fugir aos impostos que o estado impõe às nossas tech-start-ups, com o intuito de condicionar a iniciativa privada e o desenvolvimento. Saudamos a decisão do Anarchaportugal de organizar o evento numa quinta e sexta-feiras, ao invés do habitual fim-de-semana, como um há muito aguardado reconhecimento e rejeição da intromissão estatal, opressiva e totalitária, que é o fim-de-semana - se todos nos
empenharmos arduamente na inovação competitiva e nos tornarmos CEOs, poderemos assistir a qualquer evento que queiramos, independentemente do calendário, tal é o propósito do Homem. Como organização, e como indivíduos, partilhamos o objectivo do Anarchaportugal de "cross-pollinate[s] communities in tech, philosophy, art, education and wellness" para "decidir o que estas mudanças significam para as
comunidades por Portugal, pela Europa e pelo Mundo". A polinização cruzada é muito importante, para as flores não menos, e congratulamo-nos que finalmente tenha o destaque devido. Esperamos que não nos considerem frívolos se fizermos menção especial neste comunicado das festas descentralizadas e em praia privada, entre todos os acontecimentos fascinantes do congresso. Não só devem as festas ser descentralizadas, como já é tempo de que as praias deixem de ser um bem comum, da posse de ninguém. Se temos pasta, porque não podemos privatizar uma praia para os
nossos próprios fins? Aqui deixamos então o nosso sincero reconhecimento aos camaradas do Anarchaportugal por finalmente porem estes assuntos na ordem do dia.

Por último, para que não nos alonguemos demasiado e roubemos tempo à especulação de Bitcoin que todos fazemos, como bons anarco-capitalistas, queremos deixar uma modesta proposta para quando o amanhã radioso chegar, que têm sido discutidas entre os nossos membros e que estamos certos que pelo menos os bons camaradas nas mastermind discussions sobre a verdade da anarquia tomarão em consideração:

- Execuções misericordiosas das pessoas idosas, incapazes, doentes e
dependentes químicas não-produtivas

Esta proposta foi objecto de discussão intensa e exaustiva no seio da nossa organização. Uma vez qualificadas estas pessoas como "não-produtivas", estamos unanimemente de acordo que não será vista como discriminatória, pois que existem pessoas nas situações acima descritas que contribuem de facto para o lucro e para a acumulação de capital, de que o grande camarada Steve Jobs, no final da sua vida, foi apenas um exemplo cintilante entre muitos, [tal como temos bastantes camaradas
accionistas dependentes de cocaína, paga com o seu trabalho árduo.] A questão aqui é se neste mundo melhor que desejamos criar, estas pessoas não morrerão de igual modo de fome e falta de tratamento. Sim, morrerão, como tem de ser, mas o facto de que trabalhamos diariamente para criar uma sociedade economicamente competitiva não deve fazer-nos renunciar à nossa humanidade e aturar sadicamente a realidade do seu sofrimento. [Afinal, não somos monstros.]

Posto isto, deixamos aqui apenas esta viva sugestão, tendo em conta que o processo de nos organizarmos colectivamente para realizar tal tarefa criará os mesmos laços sociais que queremos erradicar e afastar-nos-á da violenta luta pela sobrevivência que, esperamos que assim aconteça, será parte do nosso quotidiano. Não somos tão rígidos que aconselhemos métodos. Quando conta, tanto um lápis como uma guilhotina poderão servir o mesmo propósito.

LONGA VIDA À RE-EVOLUÇÃO!
MAKE ANARCHY GREAT AGAIN!
Pela AABPA-PC,
Mário Ferreira
Porto Development Center CEO"

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