A radicalização do processo colonial israelita é uma catástrofe para a Palestina

A radicalização do processo colonial israelita é uma catástrofe para a Palestina, mas clarificou que a política dos dois Estados apenas serviu para entreter a comunidade internacional com o delírio da coabitação de quem quer que seja face a um estado confessional cuja grande ambição é a arianização absoluta da sua colónia. Ao contrário do que cantavam os líricos, essa máscara serviu para que Israel ancorasse a ocupação, desenvolvesse os colonatos, maximizasse o seu arsenal bélico e ficasse hoje em posição de ter a Palestina desfeita num queijo suíço, um arquipélago de meia dúzia de cidades cercadas militarmente, transformados em campos a céu aberto de detenção, tortura e assassinato.

As alterações legais que Israel tomou na semana passada não mudam a natureza de Israel, mas oficializam aquela que sempre foi a natureza de Israel no terreno dos factos. É qualitativo, não quantitativo, mas em todo o caso um dado suficientemente importante para que o campo palestiniano alargue as suas fronteiras à dimensão institucional dos Estados e de todos os seus interesses. A presença diplomática de Israel não pode ser aceite em nenhum país e os governos que o aceitem devem ser responsabilizados pelo reforço da impunidade dos crimes de guerra de Israel no quadro da comunidade internacional. A sua presença deve ser rechaçada de todas as formas possíveis, em todos os campos do modo de vida.

A eventual vitória de Israel, e o estabelecimento definitivo de um enclave de natureza racista e confessional, implicará a aniquilação da Palestina. É inaceitável que se continue a pedir ao campo palestiniano, dentro e fora da Palestina, que negoceie termos com um interlocutor cuja agenda é a sua aniquilação. Ninguém se lembrou de negociar com Hitler um holocausto mais humano, pois é sabido que não havia nenhuma humanidade no holocausto. Há degenerações na história com as quais não podemos fazer nenhum compromisso.

por Renato Teixeira

Ghassan Kanafani, reknowned writer and Palestinian leader. In this rare video from 1970 he answers why he refused to talk to Israeli leaders: "that's the kind of conversation between the sword and the neck"

Comentários

Submeter um novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
CAPTCHA
Esta pergunta serve para confirmar se és uma pessoa ou não e para prevenir publicaçãos automatizadas