Resposta ao comunicado do Disgraça sobre " racismo inverso" publicado por Face Oculta

A propósito do comunicado do Disgraça, publicado dia 27 de agosto de 2018, com o título "A volta do racismo inverso"

Já que este comunicado foi feito sem consultar as outras partes envolvidas e somente baseada numa versão, faço este comunicado para que seja esclarecido a situação na sua totalidade. Lamento a atitude do Disgraça, que pensava ser um coletivo responsável, consciente e com um mínimo de ética, o que pelos vistos, não é o caso.

Relembro também que no meu Facebook, foi publicado em inteiro (ao contrário dele, não tenho nada a esconder), tanto a conversa em privado, que a conversa na publicação onde tudo começou, quando ele entrou num debate que estávamos a ter com um camarada sobre uma frente antifascista unida em Europa.

Para começar, falam de discriminação racial. Termo muito forte que não devia ser usado tão ligeiramente. Neste caso em particular, não houve discriminação nenhuma. Apenas lhe foi chamada a atenção que o tipo de discurso que estava a ter ( Branco europeu é racista, branco europeu é colonialista) só o tinha ouvido da parte de camaradas brasileiros, alias duas linhas depois ainda lhe peço se não tem um teórico brasileiro a espalhar esta teoria e alimentar divisões.

Pouco depois, chamei-lhe lixo, explicando que para mim, quem tem discurso de generalização e discriminação baseado na cor de pele, seja ela qual for, é para mim o mesmo lixo que a extrema-direita.

Estas duas situações, foram manipulados e com alguns cortes nos prints que o menino fez, consegui ir afirmar que o teria chamado de "seu lixo brasileiro". Coisa que tanto os prints, tanto as pessoas que assistiram ao debate, já comprovaram ser nada mais do que difamação. Alias, foi-lhe pedido de provar as ditas alegações, o que nunca foi capaz de fazer pela simples razão que não pode existir provas do que nunca foi dito.

Mais uma vez, relembro que todos os prints estão de livre acesso do início ao fim, no meu mural ao por pedido em mensagem privada. Com muito prazer partilho estes prints como já o fiz antes, o que resultou em várias pessoas que se viraram contra ele. Porque será?
Para continuar, cito a passagem seguinte que quero esclarecer: "ação coercitiva, nomeadamente, ser denunciada à polícia. Em segundo lugar, queremos tomar distância e rejeitar firmemente tal ato, acreditando que fazer apelo aos aparelhos repressivos do Estado (um Estado que desde sempre não reconhecemos) para a resolução de conflitos surgidos no âmbito de uma rede social é absolutamente ridículo e, sobretudo, incoerente com os princípios políticos de quem se define como antirracista e antifascista."

No mundo real, há pessoas que trabalham tal como eu, e das quais dependem familiares tal a minha mulher que nesta altura, estava gravida. Percebo bem que para alguns é muito complicado entender o que é a responsabilidade familiar, mas o facto é que com a difamação da qual esta pessoa me fez vítima, fui ameaçado de ser despedido do meu trabalho, no qual estou em contacto direto com cliente de várias origens, o que podia fortemente prejudicar a minha empresa. Foi neste momento que tive duas escolhas:

1. Deixar a tal pessoa me difamar, fechar os olhos e perder a única fonte de rendimento da nossa família, arriscando perder também a casa e fechar na rua com uma mulher gravida e um filho para nascer.
2. Comprovar a minha inocência ou com uma publicação da tal pessoa admitindo a difamação, ou com uma queixa que caso seria culpado, não ia fazer claro.

Foi neste momento que contactei de novo a tal pessoa que me difamou, e disse-lhe que tinha 24 horas máximo ou para apresentar provas das graves alegações, ou de fazer uma publicação admitindo que tinha difamado. Estas mensagens foram vistas pela pessoa, que deu preferência em continuar a trip dele, consciente e avisado dos riscos que acompanhavam tal decisão.

Resumindo, não sacrifiquei minha família, pondo-a em risco, para cobrir uma pessoa que achou engraçado difamar alguém com termos muitos pesados. O que se fosse hoje, reproduzia sem problema nenhum de consciência, porque para mim a família passa antes de tudo.

Alias, se hoje existe uma queixa, é por uma só é única razão: a vontade da pessoa que difamou. Ele sabe muito bem que basta ou provar as alegações, ou fazer uma publicação admitindo a mentira, para a queixa ser retirada e eu apresentar a minha empresa a prova da minha inocência.

Continuamos com outra passagem que também merece resposta, o resto antes tendo já sido esclarecido. "facto de a pessoa denunciada se tratar de um sujeito racializado que foi acusado de racismo reverso e difamação."

Como explicado em cima, a difamação é um facto, e um facto que teve consequências pesadas na vida de outras pessoas. Que a pessoa que difamou seja negra ou branca, para mim não muda nada na maneira de tratar o assunto. Ao contrário desta pessoa, não defino alguém pela cor de pele dela ou pela origem. Acredito que existe só uma raça neste mundo. D'ai o meu riso, quando li que supostamente o teria acusado de racismo inverso. enfim, só mais uma piada da parte desta personagem.

Penúltima passagem na qual vou dar meu ponto de visto : "Queremos sim sublinhar a importância de reconhecermos os lugares a partir dos quais as pessoas falam, tornando visíveis estes lugares, porque, por muito que possamos ser vítimas de práticas diárias repressivas nas nossas vidas, é preciso compreender os nossos limites e perceber quando se tratam de experiências das quais não nos compete falar"

Para mim, e sempre o disse e continuarei a o dizer, o antifascismo não é questão de origem étnica e não vejo qual a razão que justificaria um homem branco europeu, não ter legitimidade para ser antifascista. Devo relembrar que o racismo só à um dos inúmeros braços que o capitalismo tem, tal como o fascismo? Devo relembrar que as discriminações raciais ou étnicas não são monopólio de pessoas de pele negra? A nenhum momento vi camaradas na nossa rede, tentar tirar o protagonismo as minorias que estão na luta. Vi, foi muitos dos nossos a darem corpo e alma nesta luta para apoiar as vítimas. Sou Branco e Europeu sim, nasci assim não o pedi a ninguém. Também sou e serei sempre, gostam ou não, um antifascista que milita e luta contra o que acha ser um nojo existir ainda no nosso seculo. Como já disse antes, se não gostam, problema vosso. Não vou mudar os meus ideais e minha visão do mundo para vos agradar.

Por acabar, queria dizer algo sobre isto: "Por último, queremos alertar as pessoas promotoras deste ato cobarde, bem como as que apoiam ou sentem afinidades com essa forma de atuar, que não são bem-vindas ao nosso espaço."

Acho lamentável, mas na continuidade da atitude que mostraram com este comunicado, discriminarem pessoas por terem tido a inteligência e maturidade, de vir ver do outro lado a versão e analisar a história na totalidade. Mas também vos agradeço imenso, porque com este sectarismo e prova de espírito fechado, conseguiram dar ainda mais força a nossa luta e a nossa maneira de lidar com as coisas. Alias, repito aí que são todos bem-vindos nos nossos eventos e nos nossos locais. Pois, ao contrário do vosso coletivo, achamos que cada opinião tem direito a ser exprimida e debatida e não aplicamos nenhuma filtragem dos nossos camaradas

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