Parque Escolar – da “bondade” das escolhas

No que diz respeito aos ajustes directos da Parque Escolar há o argumento recorrente que a celeridade do processo implicava a não abertura de um procedimento de concurso. Assim sendo, a Parque Escolar, disponibilizava-se a escolher as empresas que participariam no processo mediante uma análise curricular. Os critérios nunca foram publicamente estabelecidos, mas entre os arquitectos, fazia-se constar que se privilegiaria as PME’s (que no campo da arquitectura, são todas as empresas), as mais jovens e inovadoras e as que já tivessem experiência em programas similares (escolas).
Com o sentimento de crise instalado, e com a retracção de projectos privados e públicos, as obras das escolas significavam para muitas empresas de serviços de arquitectura a única hipótese de sobrevivência. Da Parque Escolar esperava-se que houvesse uma análise criteriosa da qualidade técnica e científica dos projectistas e ecletismo nas suas escolhas. Mas não foi isso que aconteceu.
Não sou dos que partilha da tese enunciada nalguns comentários que as escolhas da Parque Escolar foram uma opção estética ou de corrente arquitectónica, nem tenho uma tese final sobre o seu obscuro método de selecção. Contudo há algumas coisas que se podem afirmar tendo como base, apenas, o que é público:

1. Há empresas de prestação de serviços de arquitectura com 2, 3, 4 ou 5 escolas adjudicadas até 2008 (consta que ainda terão tido mais adjudicações no ano de 2009) que, sem especial habilitações nem prévia justificação, foram privilegiadas pela Parque Escolar e, consequentemente, pelo Estado;

2. Na lista de projectistas pode-se constatar uma enorme presença de empresas de arquitectos com actividade docente, destacando-se a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (que não me surpreende) e o Departamento de Arquitectura do Instituto Superior Técnico (absolutamente surpreendente);

3. Na lista de projectistas seleccionados para o ajuste directo verifica-se a presença de empresas de dirigentes da Ordem dos Arquitectos com responsabilidades;

4. Da lista de projectistas não consta nenhum atelier conduzido por arquitectos com menos de 35 anos e é residual a presença de arquitectos com menos de 40 anos (mais de 80% dos inscritos na Ordem dos Arquitectos têm idade inferior a 40 anos) – este tema será objecto de desenvolvimento em futuro post.

http://5dias.net/2010/01/20/parque-escolar-a-escolha/

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