Privatizando a educação

Privatizando a educação

Janeiro 30, 2010 por fjsantos

A ocupação residencial do Parque das Nações ( Lisboa), que se verificou ao longo da última década, não foi acompanhada pelo aumento da oferta pública de estabelecimentos de ensino.

A única escola pública existente na zona – a EBI Vasco da Gama foi criada em 1999, correspondendo à “deslocalização” de uma anterior escola com o mesmo nome, que existia no bairro da Portela. No início do seu funcionamento acolheu os alunos que já a frequentavam e residiam no concelho de Loures (Moscavide, Portela, Sacavém), aos quais se juntaram crianças do pré-escolar e do 1º ciclo, filhas dos primeiros residentes do Parque das Nações.

Apesar de a oferta ser claramente insuficiente para as necessidades da população, que foi crescendo ao longo desta década, a administração educativa não investiu na construção de nenhuma outra escola e, como é natural, a procura crescente encontrou eco nos investidores privados.

Foi desta forma que em 2009 foi inaugurado o Colégio do Oriente,

http://www.amcpn.com/?p=132

com capacidade para 700 alunos desde o Jardim de Infância até ao 9º ano, cujo projecto de ensino é assegurado por uma denominada GPS – Gestão e Participações Sociais, SPGS, SA.

Visitando a página da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações,

http://www.amcpn.com/?cat=22

no separador relativo à oferta educativa verificamos que, a par da reivindicação de intervenção por parte da DRELVT, se vão anunciando diversos investimentos privados como o Externato João XXIII,

http://portaldasnacoes.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=7...

que se vai mudar do bairro da Encarnação para a zona do Hospital CUF-Descobertas e o colégio Pedro Arrupe-

http://www.colegiopedroarrupe.pt/Pages/HomeCPA.aspx

– iniciativa do grupo Alves Ribeiro com projecto educativo a cargo da Companhia de Jesus.

Como se vê, quando o Estado se retira da educação abre caminho para que os privados tomem conta do espaço livre.

Ao que parece é o que também se planeia para a nova urbanização da Matinha,

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/28-01-2010/queremos-sete-torres-de...

onde a construção de 7 torres de 19 andares não acautela a construção de equipamentos, como escolas ou centros de saúde, numa zona da cidade já muito carenciada.

http://fjsantos.wordpress.com/2010/01/30/privatizando-a-educacao/

Na URBANIZAÇÃO JARDINS DA PAREDE/ VARANDAS DE S.PEDRO

Nos confins entre Parede e S. Pedro, foi construída uma pequena cidade, uma urbanização chamada Jardins da Parede/Varandas de S. Pedro onde os andares são de custo elevado, os preços dos condomínios são muito elevados também. Nesta zona jardins de infância, colégios de primeiro ciclo, até ao secundário, abundam. Então eles – os tais urbanistas e planificarores – acharam que era «dispensável» prever e construir escolas para um empreendimento com esta dimensão (suponho que vai para lá dos 5 000 fogos no total, mas não sei ao certo; sei que é monstruoso).
Exactamente o mesmo para as clínicas, centros de saúde privados, etc…
Só que muita gente desta população na zona, tem enormes carências também. As populações ricas são uma minoria (pequena). Muitos andares das Varandas de S.Pedro estão vazios, por comprar ou por alugar. Com o aprofundar da crise, esta zona não se tornou o «El dorado» capitalista com que sonhavam Judas (quem deu luz verde ao empreendimento) e outros reformistas…

MB
http://antinatoportugal.wordpress.com/

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