[Colômbia] Um passo a mais para a construção de um movimento anarquista local

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Desde 1998 na Colômbia tem sido feitos uma série de encontros libertários organizados a nível local e nacional, conhecidos como Jornadas Libertárias, os quais buscam o encontro e a consolidação dos processos ácratas. As jornadas são dos poucos espaços de socialização de tópicos importantes para a formação libertária e consciência crítica, em um país que relega o pensamento ao confinamento por ser de grande perigo para seu estabelecimento.

Cada grupo organizado nas diferentes regiões do país tem tido uma referência ou olhar das jornadas libertarias dependendo de cada processo, sem dúvida, é de se reconhecer o que tem gerado o processo de jornadas libertárias como a criação da página web www.nodo50.org/anarcol/ , com o evento realizado em Medellín no ano de 2004 e o surgimento de um espaço de articulação de coletivos ácratas chamado Coordenação Local Anarquista, CLA em 2007.

Em novembro de 2009, na cidade de Medellín, nos reunimos vários coletivos e individualidades afins as idéias anarquistas, a fim de organizar outra versão das Jornadas Libertárias Locales nas quais, como anarquistas, procuramos analisar e gerar debates sobre as realidades sociais, questionar o contexto sócio-político e econômico no qual vivemos, trocar experiências, ações e compartilhar com os processos de resistência desde as bases comunitárias e as diversas formas de luta popular.

Consideramos que com o empenho coletivo levamos um bom evento adiante, mas é necessário fazer uma reflexão a nossos colegas libertários, pois uma das falhas mais marcadas nas jornadas foi a falta de articulação dos trabalhos de base do/as anarquistas em nível local.

As Jornadas Libertárias locais transcorreram durante o último final de semana de novembro em três diferentes espaços: a Universidade de Antioquia, a sede de ADIDA (Associação de Professores de Antioquia) e a sede da Junta de Ação Comunal do bairro Santa Cruz. Nestes lugares contamos com uma nutrida participação para o desenvolvimento das palestras, debates e oficinas em torno a 3 eixos temáticos propostos na programação, com a tradicional Olla Comunitária e a venda de material libertário (fanzines, parches, discos, periódicos, entre outros).

O primeiro eixo versou sobre a Minga de Resistência Social e Comunitária. Vários companheiro/as que tem participado do processo em Medellín, nos contaram sobre e como vai este processo e o que nos traz para 2010, marcando o caminhar da palavra e a luta social desde cinco pontos: Soberania, Terra e Território; Direito a vida; Acordos não cumpridos; Tratado de Livre Comércio, Sistemas econômicos e Agenda dos povos; os quais fazem parte do trabalho mancomunado de saberes para a construção de realidades dignas, solidárias e biodiversas, visando a unidade dos movimentos sociais e populares.

O segundo eixo, denominado Criminalização do Protesto e outras formas de Terrorismo de Estado, se trataram temas relacionados com a perseguição do Estado através de seu maquinário legal, militar, judicial, a dissidência, ao protesto social com o fim de debilitá-las e anulá-las para manter a ordem estabelecida. E com o terceiro eixo, Luta e Identidade Popular, se tratou de conhecer as formas de luta dos diferentes setores sociais populares: operários, indígenas, camponeses, afro-descendentes, jovens, estudantes e comunitários. Além disso, contou com contribuições sobre a reivindicação da luta dos povos para forjar uma identidade que se contraponha a ordem estabelecida atualmente, de matizes populares, onde os setores sociais dependem da geografia, da economia, da política e da cultura.

De acordo a estes dois últimos eixos, se atenderam temas cruciais que transbordaram o local, tais como os direitos humanos, as ações coletivas de resistência e de reivindicação da luta social, a proposta sociopolítica do feminismo, além das de ferramentas para a difusão e o conhecimento da luta indígena no Chile. Alguns dos títulos das falas foram: “Luta pela moradia digna, entre despejos e luta social em Bogotá”; “Mutações do Estado e seus métodos repressivos: situação dos Direitos Humanos em Medellín”, “Repertórios de ação e violência coletiva na greve cívica de maio de 1977 em La Ceja, Antioquia”, “Movimento de mulheres e as aspirações libertárias do projeto político feminista em Cali”.

Nossas passadas Jornadas Libertárias locais só tem sido um passo a mais para a construção de um movimento anarquista local. São pegadas de uma história recente de 11 anos de movimento anarquista na Colômbia, conspirando contra o capital e revolucionando nossas mentes para agir nas ruas. É um espaço criado por anarquistas para a sociedade. É um espaço para dialogar, para construir nossa identidade… Ficam interrogações, diferenças e falhas que vamos solucionando no caminho, conflitos necessários que fazem amadurecer os processos, que os tornam fortes.

A união, a ação e a autogestão são nosso caminho, esperamos que para 2010 possamos nos encontrar nas Jornadas Libertárias Nacionais.

Tradução > Juvei

agência de notícias anarquistas-ana

As águas do mar
e o vento nos arvoredos
dissolvem meu pranto

Antônio Gonçalves Hudson