(A es.col.a existe, é real e resiste) Apesar de vocês

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Roubado do excelente http://oblogouavida.blogspot.pt

Defender o direito à ocupação dos espaços públicos abandonados pelo estado que os devia manter, recuperando-os com material reciclado e devolvendo-os à população para esta os dinamizar, gerir e manter é uma forma de re-empoderamento popular e de pulverização do poder E ATÉ ESTÁ NA CONSTITUIÇÃO ENQUANTO DIREITO (e os direitos que não se exercitam são direitos que não existem). A necessidade é ampliar, amplificar, multiplicar projectos como a fontinha, as experiências horizontais e comunitárias de auto-gestão.

A CMP já começou a previsível campanha desinformativa (ver vídeo aqui): ...que o Es.Col.A se recusa a assinar os contratos que os simpáticos representantes apresentam... que já prorrogaram prazos e mais prazos (de licenças temporárias imaginadas) para o projecto abandonar o espaço da antiga escola primária. isto é men-ti-ra. Nunca houve contrato nenhum com a câmara, nem nunca o projecto aceitou qualquer data limite para a ocupação, porque a CMP nem sequer enviou uma proposta do dito para análise da assembleia - só agora, já tarde, depois dos protestos, em forma de contrato de aluguer de dois meses sem hipótese de renovação: olá e adeus.

Porque está a Câmara tão desejosa por despejar o Es.Col.A? Porque é uma ocupação: é esse o dogma neo liberal que preside, atrás da figura autoritária - a propriedade privada é sacrossanta, e a propriedade pública é uma extensão da privada. Como dizia um dos polícia na primeira desocupação do espaço 'isto é privado da câmara' - ou, citando Rui Rio "não conheço o projecto que lá estava dentro e não me custa aceitá-lo, mas é impossível aceitar seja que ocupação for de um edifício". Nem que devoluto, nem que esquecido: «antes emparedado que ocupado». É este paradigma que o es.col.a da fontinha questiona.

Não tendo assinado nenhum contrato, o Es.Col.A continua como sempre foi, uma ocupação popular aberta e plural, gerida por uma assembleia. Se a CMP tem novos «projectos sociais», que desconhecemos, para a cidade do Porto, isso só podem ser boas notícias - há dezenas de locais a precisar. Na Fontinha, felizmente, a população foi fazendo, e o Es.Col.A é já uma realidade autosuficiente que só precisa da indiferença da câmara para seguir o seu caminho, como até agora, cheia de actividades e de trabalho solidário, não caritativo, com o bairro da Fontinha.

E se nunca o poder cedeu sem que houvesse uma exigência, e se o sistema trata os cidadãos como culpados até prova em contrário, nas manifestações ou nas suas iniciativas em busca de autonomia trazendo por trás da fachada de 'negociação' uma ordem de despejo, só resta dizer 'não, vocês não fazem falta, nem a vossa burocracia.' A es.col.a existe, é real e resiste, apesar de vocês.