Acorda Setúbal! 1º de Maio Anti-Capitalista e Anti-Autoritário

Em certos momentos, há que lembrar por que valores nos temos batido por manter. O artigo n.º 45 da Constituição Portuguesa, referente ao direito de reunião e manifestação, afirma que «os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização. A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.»

Na situação de resgate financeiro actual, as manifestações e concentrações multiplicaram-se, sobretudo nos últimos meses. Elas assentam sobre um direito constitucional existente nas «regras do jogo» e, mesmo tendo em conta o seu diminuto impacte real, devem pesar sobre as decisões parlamentares numa óptica de representatividade democrática.

A última Greve Geral, a 22 de Março, ficou marcada por uma profunda violência policial contra os manifestantes, na zona no Chiado. A quantidade de registos existentes, fruto deste actual livestream social instantâneo, que já não deixa nada às escuras, não deixa dúvidas quanto à desproporcionada brutalidade que se abateu sobre um grupo de protesto pacífico. Desde a utilização ilegal da ponta metálica do bastão até aos pontapés dados a pessoas já deitadas no chão, a acção policial foi chocante e não pode de forma nenhuma ser justificada pelas reacções defensivas dos manifestantes, que em pânico tentaram provocar barricadas que abrandassem o avanço do corpo de intervenção.

Setúbal viu, no passado dia 1 de Maio de 2011, uma repressão policial sem igual nos últimos anos (http://terralivre.eu/blog/?p=86), que não foi de todo mediática – nenhum jornalista levou com uma bala de borracha nem ninguém ficou cego (http://stopbalesdegoma.org/). Quando um protesto local anti-capitalista e anti-autoritário chegou ao largo da Fonte Nova, depois de um percurso sem incidentes, o corpo de intervenção disparou balas de borracha em reacção à recusa de um manifestante em identificar-se. Depois de, naturalmente, dispersar a multidão – que não ultrapassava as 100 pessoas –, a polícia seguiu perseguindo com tiros pessoas isoladas, que fugiam pelas ruas da baixa.

Este tipo de intervenção policial é fruto de uma estratégia política, que é clara nos discursos que Miguel Macedo tem feito nas últimas semanas. À polícia cabe-lhe, por directivas obscuras e corrupção, defender as políticas do governo, atacando por isso aqueles que tentam ainda resilientemente lembrar que a representatividade democrática deve ser real, o que equivale a dizer que o povo é quem ordena. Isto de acordo com as «regras do jogo», mas visivelmente as «regras do jogo» mudaram. Posto isto, ou se arrasta o jogo da batota ou se assume que nenhuma regra vale, procurando estabelecer uma espécie de estaca zero, a partir da qual se possam criar novas possibilidades. É o que está a acontecer na Es.Co.La e na rua de S. Lázaro em Lisboa, e é o que tem de acontecer em Setúbal.

No próximo dia 1 de Maio, data já marcada para uma manifestação Anti-Capitalista e Anti-Autoritária em Setúbal, teremos passado por mais uma celebração do 25 de Abril, sem perceber muito bem afinal o que é isto da Constituição que resultou do derrube de um regime fascista em 1974. A acrescer a este cinzentismo político, está convocada uma concentração do PNR a nível nacional para Setúbal (na Av. Luísa Todi). Perante a ascenção do fascismo (político e social) e de uma polícia política assumida (basta ouvir as declarações do Magina da Silva), o 1º de Maio sadino é claramente uma das «casas de partida» para um novo jogo. Todos a Setúbal no 1º de Maio!

http://www.youtube.com/watch?v=2JxNuBPgnJE&feature=youtu.be