Reflexões em tempos de gripe permanente (1ª Parte): revoltas de crise

Num primeiro tempo, a erupção da crise foi seguida, na Europa, por um acréscimo significativo das lutas sociais, mesmo nas sociedades até então consideradas como lugares de tranquilidade consensual. Por Charles Reeve

No final de 2008, tal como após um degelo, o colapso do sistema bancário, na Islândia, deixou a descoberto um território árido devastado pela especulação financeira. A população local que tinha alegremente subscrito as promessas da felicidade - «fazer dinheiro com dinheiro» - acordou despojada sob o frio quase polar. Na sequência disso, violentas manifestações fizeram cair o governo, dando um fim provisório a esta saga nórdica moderna, símbolo caricatural do percurso seguido por outras economias na Europa. Como um pouco por todo o lado, na Islândia, o calor das manifestações de rua trouxe à luz do dia as fissuras da economia dita «real» cujos males repentinamente deveriam ser procurados, não no excesso de alguns gangsters da banca, mas noutro lado.

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