Política Editorial

(Introdução de intenções)

A rede IMC permite editar, de forma instantânea, notícias, relatos, análises, ou comentários, num sítio web acessível globalmente; anima a criação duma comunidade aberta e activa de utilizadores que se convertem, eles próprios, em meios de comunicação alternativa; reinventa um jornalismo político sem especializações. O CMI Portugal confia que as pessoas que publicam as suas notícias apresentem a sua informação de forma completa, honesta e exacta, evitando, dentro do possível, a simples propaganda. O conteúdo do sítio é, assim, criado através de um sistema de publicação livre: qualquer pessoa pode colocar notícias, seja em texto, seja em imagem. Através deste sistema de Média Directo, o CMI Portugal tenta causar o máximo de erosão possível nas linhas que dividem os repórteres daquilo que é noticiado, os produtores activos e a audiência passiva: as pessoas e colectivos podem falar por elas próprias.

Queremos, assim, promover narrações verídicas e apaixonadas, coisa que a muita gente pode parecer incongruente. O CMI Portugal aposta nisso: só vê longe e de forma profunda quem permite que a paixão sirva de alicerce ao seu olhar. Mas o imperativo da veracidade é algo irrenunciável: queremos fazer uma luta política com verdade, ainda que saibamos que a verdade não é só para descobrir mas também para criar. O Indymedia Portugal quer sair do gueto, romper os diques, superar as discussões estéreis, evitar os exercícios ideológicos vãos. Quer ser uma ferramenta nas mãos das apostas políticas que estejam à altura dos tempos, que modifiquem a consciência das multidões e abram espaços de sociabilidade alternativa subtraída à lógica da guerra, do capitalismo e do patriarcalismo. Quer ser um indymedia descentralizado que supere os provincialismos curtos de vistas, quer abrir janelas e portas a outras formas de fazer política que se ensaiam por todo o planeta para que se mobilizem a nossa imaginação social e as nossas esperanças num mundo outro.

(Termo de responsabilidade)

Todo e qualquer material publicado é da exclusiva responsabilidade da pessoa que tomou a iniciativa de o publicar. O CMI Portugal existe com o único propósito de defender a liberdade de expressão, liberdade de informação e para servir o interesse público. O CMI Portugal fornece informação com a finalidade única de educar e promover a investigação. A informação, pontos de vista e opiniões contidos nos textos e imagens no CMI Portugal não são referentes ao dono nem ao servidor do site, nem são necessariamente referentes ao responsável pela manutenção e contribuição para a existência do mesmo. Se alguém tiver alguma questão a colocar sobre a nossa visão politica, por favor, sinta-se livre para nos contactar. Aconselhamos, por uma questão de honestidade, que ao colocar-se um texto da autoria de uma outra pessoa ou colectivo, se revele a sua fonte.

(Direitos de autor)

O colocar de uma notícia ou qualquer outro artigo implica a concordância explícita em que esse material seja usado, quer pelo Indymedia, quer por qualquer outra pessoa, sem qualquer tipo de limitação e sem que haja a receber seja o que for em troca.

(Funcionamento do Indymedia)

O CMI Portugal é, como todos os centros de média independentes, um centro de informação livre e independente, cumpre com os requisitos para fazer parte da rede IMC e concorda com os princípios de filiação à rede. Funciona para que as pessoas possam tornar-se elas mesmas em meios de informação livres e independentes.

Como tal, pretendemos realizar uma acção directa informativa, deixando de confiar nos meios de comunicação corporativos a tarefa de intermediar em exclusivo os acontecimentos e a sua interpretação. Convertemo-nos assim em fonte geradora de um discurso livre da manipulação de governos e corporações, e assumimos o nosso papel como artífices e zeladores dos canais que nos permitem transmitir e difundir uma outra visão da realidade.

Para tal, tentamos criar redes de informação com protagonistas (individuais ou colectivos) e movimentos sociais que estejam no terreno, que conheçam a realidade e mais do que tudo, que não estejam interessados na filtragem de acontecimentos em nome de interesses meramente utilitários.

Faz parte das tarefas do colectivo editorial a retirada daquelas contribuições que desrespeitem os princípios da nossa declaração de intenções ou dos documentos da rede Indymedia. Poderão ser retiradas do site desde que exista um consenso do colectivo editorial, após o que será dada a devida explicação à pessoa que os colocou, caso seja solicitada.

Estão nessas condições, por exemplo:
- marketing comercial;
- contribuições repetidas;
- contribuições vazias;
- contribuições com proselitismo religioso;
- contribuições com proselitismo partidário
- de carácter pessoal;
- ataques;
- violações da privacidade;
- expressões da violação da vontade livre e autodeterminada dos indivíduos;
- contribuições administrativas.

É necessário ter em conta que o material a retirar é submetido à análise e discussão da lista de discussão do CMI Portugal, que é constituída por voluntários que trabalham gratuitamente e sem horário de trabalho fixo, pelo que pode levar vários dias até que um post a retirar seja descoberto e finalmente decidida a sua eliminação.

(Princípios de funcionamento)

O CMI Portugal compromete-se com os seguintes princípios:

- Trabalhar de forma não hierárquica;
- Ser uma ferramenta nas mãos das apostas políticas que estejam à altura dos tempos, que modifiquem a consciência das multidões e abram espaços de sociabilidade alternativa subtraída à lógica da guerra, do capitalismo e do patriarcalismo
- Rejeitar todas as formas de discriminação e dominação
- Compreender que a luta por um mundo melhor toma várias formas. O enfoque do Indymedia Portugal é na política, nas acções e nas campanhas de base;
- Não ter ligações a partidos políticos ou ONGs comprometidas com o poder (toda a gente é livre de pertencer ao colectivo, ao partido ou à ONG que quiser. O CMI não poderá, nunca, ser porta-voz desse colectivo, desse partido ou dessa ONG. É nesse sentido que não pode ter ligações. O CMI pode ter pessoas que militam em partidos. Não podem é estar no CMI como representantes do partido). Nenhuma pessoa que integre o CMI poderá actuar em sua representação sem o prévio consentimento do colectivo editorial.
- Defender e promover uma sociedade livre e libertada. Consequentemente, defender a liberdade das redes de comunicação e informação, defender uma sociedade livre de patentes, defender e promover o uso de tecnologias não destrutivas e ao alcance de todos e defender o uso, em particular, de tecnologias de informação de fonte aberta.
- Perceber que a pressão contra-informativa não levará, por si só, a uma mudança radical. Como colectivo, a nossa atitude é afirmativa e, onde necessário, confrontacional.

Inerente aos meios de comunicação empresariais está uma forte tendência de defesa das estruturas do poder capitalista, sendo uma ferramenta importantíssima na propagação destas estruturas por todo o mundo. Ao contrário deles, que tentam esconder essa tendência, o CMI Portugal não pretende atingir uma posição objectiva e imparcial: nós fazemos saber que somos subjectivos.

Esta ressalva aplica-se de forma mais válida uma vez que o CMI Portugal, a exemplo dos outros CMIs, dispõe de uma coluna central destacada e feita por um colectivo editorial constituído por voluntários. Esta coluna central (editoriais) reflecte notícias colocadas em linha, destacando temas específicos, de forma a que fiquem mais acessíveis. São discutidos, revistos e aprovados por voluntários, através da respectiva lista de discussão.

(Conclusão e apelo)

O CMI Portugal pretende, assim, pôr em prática todos os mecanismos da imaginação que nos permitam, em conjunto, criar, aqui e agora, fragmentos de um mundo melhor. O desafio é, portanto, grande. Mas acreditamos que um colectivo de pessoas empenhadas em construir algo em conjunto conseguirá, enquanto esse empenho se mantiver, fazê-lo, ultrapassando as várias barreiras que forem surgindo. Pretende-se, portanto, com este texto, não apenas a apresentação de uma nova forma de mostrar o que nos move, mas, acima de tudo, lançar um apelo para todos os que, como nós, acreditam que a realização voluntária, colectiva e horizontal de um meio de informação é, ao mesmo tempo, uma machadada nos paradigmas actuais e uma experiência de trabalho num mundo já transformado. Um apelo para que se juntem a esse mundo, para que se povoe de gente e, portanto, de novas possibilidades de ser melhor.

Se quiseres participar no processo do Indymedia Portugal, seja a que nível for, já estarás a dar por bem empregue o tempo de quem escreveu isto e só terás que seguir estes passos:
1. Consulta e vê se concordas com os documentos fundamentais do CMI global e do Indymedia Portugal
2. Inscreve-te na lista de discussão geral do Indymedia Portugal
3. Apresenta-te, numa primeira mensagem ao grupo, indicando aquilo que considerares relevante para o projecto (se representas algum grupo, se tens conhecimentos específicos, em que área gostarias de te envolver, o que te der na gana)
4. Se quiseres participar no processo de discussão e aprovação de editoriais, podes inscrever-te na lista imc-portugal-features em lists.indymedia.org e, claro, aproveitar para ir propondo, tu próprio, os editoriais que considerares relevantes.

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